Eu não tenho um milhão de amigos, e, francamente, nem quero ter. Nesses tempos de miguxismos exacerbado, eu cheguei à conclusão de que está mais em paz aquele que corre para léguas de distância da falsidade propagada em convites, comentários e frases públicas de eu te amos vazios.
Há mais e mais gente que se intitule “amigo”, porém, há também mais gente que falhe em sê-lo. Com tantos amigos, centenas e centenas quantificadas pelas redes sociais, o point de encontro do momento, fica difícil escolher um, unzinho que seja para ser simplesmente companheiro. A barra de rolagem pode descer e subir quinhentas vezes, criando um efeito de cascata com aqueles rostos (devidamente photoshopados em suas melhores poses) que, de algum modo, já estiveram presentes em sua vida, mesmo que tenha sido para simplesmente escrever: “Add”. Eles sobem e descem e você se pergunta qual o sentido daquilo ali. Você “reviu” aquela pessoa que assistiu Jaspion com você, a que colou da sua prova na quinta série, a que te deu uma rasteira no meio do pátio da escola e até a que quis o seu namorado para ela. Mas e daí? A maioria te reencontra para saber se você se casou, se ficou rico ou empobreceu de vez, se é bem sucedido, o que faz e até o que não faz, onde mora, em quais farras você pode estar, a quantas pessoas sua vida interessa e ponto.
Em tempos de amizade vazia, sinto falta do companheirismo de outras fases, de coisas simples, do riso e do abraço largo, do afeto, da mão que acolhe, da certeza de poder contar com alguém. Talvez, partindo-se do modelo de amizade que anseio, seja falta dos amigos da minha mente, todos eles imaginários.
Pois é, eu não sou popular, eu não tenho um milhão de amigos e eu devo ser muito insuportável, porque no meio de uns poucos amigos contados eu conto menos ainda quem seja companheiro.
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