Dora Lira
É fato que o boato está na capa da revista. Inclusive, já está marcada a entrevista. De boca em boca a notícia vai veloz feito um sopapo. Pois é, quem tem boca vaia Roma e vaia a vida alheia que, na verdade, quer para si. De um canto a outro a notícia ultrapassa as linhas limítrofes, as cercanias da cidade. As linhas telefônicas congestionam-se e todos soltam “ohs”, “ais” e “uis” interrogatórios, inquisitórios, sentenciatórios. Todos santos. Tolos e sonsos.
Os Judas são escolhidos. E a diversão é certa. Malham, malham, até cansar. Ou melhor, malham, malham e, em tortura verbal, dilaceram a vida dos escolhidos, até outros aparecerem com escândalos maiores, com escândalos ou desgraças que rendam fofocas mais interessantes. E assim a teia de falsidade segue, fio a fio. Entre as aranhas o veneno e, antes do “bom dia”, o “como você está?”. Não para saber se, de fato, a outra vai bem, ao contrário, para saber o que vai mal, simplesmente por querer que assim seja. Que as desgraças da vida alheia explodam, mas que elas ouçam ao menos o eco. Há que se ter o que falar. Quando a própria vida é assim tão insignificante, é preciso mesmo viver a dos outros.
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